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Sobre os protestos em Porto Alegre, dia 27 de março de 2013, e a manipulação da opinião pública pela RBS

março 28, 2013

Interessante que na hora de tratar sobre o protesto contra o aumento de passagens a RBS ignora uma série de questões, e aponta sempre para sua imagem selecionada (que é justamente o momento da REVOLTA – leia-se, algo que contra os mandos e desmandos autoritários da prefeitura de Porto Alegre, em comboio com empresários gananciosos e com meios de comunicação monopólicos e totalitaristas está PLENAMENTE JUSTIFICADO E DIGO MAIS, O QUE OCORRE É PEQUENO PERTO DO QUE MERECE, nosso patrimônio, nosso trabalho, tudo centralizado nas mãos de poucos através de estratégias de manipulação, de roubo, de exploração, de desapropriação do público, tudo em prol de um mês de peleia de futebol).
Mas vejamos os erros dessa empresa estapafúrdia, sem vergonha, mentirosa, ditadora:
– Esqueceu de mencionar que, segundo o Ministério Público de Contas, o cálculo para reajuste da tarifa (já no ano passado quando subiu para R$2,85) foi feito de maneira errada, visto que levava em consideração a frota passiva, reserva. Segundo o MPC, a tarifa deveria ser de R$2,60. O aumento ocorreu em cima dos R$2,85, quando na verdade deveria ser tomado por base o R$2,60.
– Esqueceu de mencionar que os manifestos e protestos contra o aumento já ocorrem há dois meses.
-“Esqueceu” de mencionar que nem a prefeitura nem a EPTC deu tempo para o Conselho acompanhar a planilha, sendo a reunião apressada para aprovar já o aumento sem a análise necessária, tanto por parte do Conselho (outro comboio dominado por empresários do setor) e pela população, parte essencial em algo chamado DEMOCRACIA.
-“Esqueceu” de mencionar a má qualidade do transporte.
-“Esqueceu” de mencionar os protestos dos trabalhadores do transporte público, que tem intervalos de “3 horas” e depois voltam a trabalhar, totalizando, com essa “parada” (quem em Porto Alegre consegue voltar pra casa, descansar, e voltar pro trabalho, em 3 horas?) 12 horas de trabalho.
-“Esqueceu” de mencionar detalhes sobre o porquê da revolta e do quebra quebra (visto que uma menina, segundo o jornal Sul21, já estava presa lá dentro, pela guarda municipal).
-Esqueceu de avisar que o transporte público de POA opera sem licitação, portanto, de maneira ILEGAL.
-“Esqueceu” de avisar o público que o Edital para licitação que deve sair agora está sendo elaborada em conjunto com os empresários que já operam, ou seja, com tendência clara a ser manipulado para priveligiar quem já está aí.
-“Esqueceu” de mencionar, que o mesmo grupo que se manifesta contra o aumento da tarifa e contra os desmandos da copa, também protesta contra o monopólio das comunicações, que no RS todos sabemos, é da RBS. Esqueceu de dizer, de contar que este grupo é o mesmo que protesta a favor da pluralização e democratização dos meios de comunicação, para que casos como esse não sejam levados a público com apenas uma versão unilateral, baseada em interesses particulares, visando a manipulação grosseira de uma opinião pública pouco esclarecida, de uma massa ignorante que vive dando tiro no próprio pé quando apoia a opinião espúria de pseudocolunistas como Lasier Martins.

A RBS também esquece de dizer que defende a manutenção da propriedade privada, mas não abre a boca quando a propriedade “desapropriada” é pública. Também não se importa se a desapropriação ou o abuso ocorrer em territórios indígenas, quilombolas ou em favelas, mesmo que estes tenham garantidos seus direitos e a propriedade reconhecida publica e juridicamente. O problema é tirar dos grandes e distribuir. Agora, quando se distribui o bem público para criar monopólio, aí ela não abre a boca. E todo mundo cai no continho dos vigaristas.

Meus caros, pra vocês que acreditam em RBS e nessa baboseira, me desculpem a arrogância, mas só existem duas razões para seu posicionamento: autointeresse ou burrice.(1) Autointeresse caso você faça parte da casta (cada vez menor, visto que as ações dos governos brasileiros tem sido em vista de concentrar cada vez mais e combater mesmo o princípio neoliberal de livre competição, acabando com as concorrências) privilegiada (talvez você acredite que faça, mas pode estar enganado, neste caso vide (2)).
(2) Você precisar ACORDAR, PENSAR, SE INFORMAR, E ESTUDAR. Busque sempre várias fontes de várias tendências para cada situação, é assim que se pesquisa, comparando as diversas posições, relatos, sem se esquecer que alguns são mais “motivados” do que outros para contar sua versão da história. Não sejamos ingênuos. Abaixo Fortunatti, abaixo Tarso, Dilma, Eike Batista, abaixo RBS, Globo, e toda esta casta que quer vender o que é nosso, que quer pisar nas minorias, que quer vender o Brasil.

O que é a sociedade? Introdução à Sociologia parte I

março 26, 2013

O que é a sociedade? Introdução à Sociologia

parte I

Adriano Kurle

*texto elaborado com função didática para uso no ensino médio

1. O que compartilhamos?

A sociedade é, dito de modo não refletido, o ambiente de convivência dos indivíduos. Mas antes que respondamos de maneira mais adequada a esta questão, deveríamos pensar, a fim de obter uma maior compreensão, na seguinte questão: por que os homens vivem juntos?

Os homens têm diferentes necessidades. De ordem afetiva, de ordem prática e de ordem econômica. Pense em um bebê: para sobreviver ele precisa que alguém o alimente, que alguém o cuide e que alguém o ensine o que ele precisa saber e fazer para sobreviver. Neste sentido o aprendizado e a dependência são os primeiros elementos que nos colocam em contato social.

Repartimos o mesmo espaço físico, como nossa casa, nosso bairro, nossa cidade, nosso país, nosso planeta, com outras pessoas. Criamos vínculos afetivos com algumas, como parentes e amigos, e convivemos com outros por necessidades profissionais, interesses práticos, etc. E nessa convivência encontramos um modo comum de nos comunicarmos e nos entendermos: através da língua, ou linguagem. Estas podem expressar verbalmente ou por imagens e signos escritos o que queremos dizer, através de palavras, números, símbolos. Compartilhamos, portanto, a linguagem e uma determinada língua (no nosso caso, o português).

Em cada ambiente que habitamos temos regras e modos de comportamento, que envolvem atividades, modo de falar, de vestir, enfim, regras ou hábitos que são compartilhados. Compartilhamos, portanto, regras e hábitos, ou comportamentos.

2. As necessidades

Os humanos têm algumas necessidades básicas, necessidades sem as quais eles não sobrevivem: precisam comer, precisam de água, precisam se proteger do frio, da chuva e de perigos como possíveis predadores. Assim, os humanos precisam de alimento, de água, de vestimentas e de abrigo. Portanto, podemos dizer que os humanos têm ao menos três necessidades que são mais básicas que todas as outras: alimentação, vestimenta e moradia.

A sobrevivência exige que os homens busquem meios para se alimentar, para se vestir e para se abrigar. Isto exige que os homens busquem a matéria prima de cada necessidade: a planta, a fruta e a carne para a alimentação; a madeira, a pedra, o barro, para a moradia; a pele, a lã, a fibra, para a vestimenta. E também é necessário que eles trabalhem para transformar cada matéria e suas misturas em artigos que saciem as suas necessidades: precisam cozinhar, construir, tecer. Isto exige que os homens tenham conhecimento sobre o que usar, onde encontrar, como extrair e como transformar.

Em suma, os homens precisam, para saciar suas necessidades básicas, de matéria prima e trabalho. E isto exige conhecimento.